sexta-feira, 1 de junho de 2012

MOÇAMBIQUE, DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E A PERSPECTIVA DOS EUA ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

"Democracia e Direitos Humanos: EUA reconhecem progressos assinaláveis em Moçambique
Hillary Clinton official Secretary of State portrait cropO Governo dos Estados Unidos de América (EUA) considera que as eleições intercalares de Dezembro último nos municípios de Cuamba, Pemba e Quelimane, foram pacíficas, democráticas e, relativamente bem geridas, apesar do boicote da Renamo, o maior partido de oposição em Moçambique.Segundo o Relatório do Departamento de Estado dos EUA sobre os Direitos Humanos em Moçambique, referente ao ano de 2011, a administração geral do processo eleitoral demonstrou claro respeito pelos direitos políticos, incluindo o direito dos cidadãos de mudarem o seu governoNeste contexto, recorda que numa das três cidades as eleições resultaram numa “bem-sucedida” transição do poder para um partido da oposição.O relatório enaltece, ainda, os progressos nas componentes de Reforma Penal e Igualdade de Género.Sobre a Reforma Penal, o documento destaca que o Ministério moçambicano da Justiça foi fundamental na criação de um código penal revisto, o qual foi aprovado pelo Conselho de Ministros e se encontra actualmente no Parlamento. “O Ministério da Justiça envidou esforços para aprovar o sistema penal, nomeadamente as sentenças alternativas, a criação de um tribunal de recursos, a formação de novos juízes para ajudarem a reduzir a acumulação de prisioneiros que aguardam o julgamento, e a criação de um novo estabelecimento prisional para infractores dos 16 a 21 anos de idade, com uma capacidade para 180 prisioneiros”, refere o relatório. Os EUA entendem ainda que o Governo de Moçambique reconhece os problemas dos estabelecimentos prisionais no país, particularmente a superlotação, e fez alguns esforços para punir aqueles que cometem abusos nas prisões. “As condições prisionais continuaram más e espera-se que a implementação das recomendações do Grupo da Reforma Prisional e a Liga dos Direitos Humanos (LDH) venham a melhorar as condições”.No concernente a Igualdade de Género, o relatório afirma que, embora as mulheres continuem a ser uma minoria no governo, estão bem representadas e participam activamente nos processos de tomada de decisão ao nível mais alto. “Perto de 30 por cento dos ministros são mulheres tal como o são 36 por cento dos deputados da Assembleia da República (o parlamento). As mulheres estão cada vez mais a ocupar cargos importantes no governo, na comunidade empresarial e ONGs, uma reflexão do progresso que estão a registar a todos os níveis e ramos da sociedade moçambicana”, reconhece.Contudo, os EUA indicaram outras três áreas que constituem desafios. Tais áreas são a “Cultura de Impunidade, Uso Excessivo da Força pela Polícia”, a “Corrupção Oficial” e as “Condições Prisionais”.Sobre o primeiro aspecto, o relatório afirma que a corrupção e a extorsão pela polícia continuaram generalizadas, e a impunidade foi um problema sério. “A polícia deteve regularmente pessoas por razões arbitrárias e exigiu documentos de identificação apenas para extorquir subornos. As vítimas dos crimes reportaram uma falta de confiança na polícia. A cultura de impunidade na força policial associada à fraca prestação de contas e a falta de sistemas de controlo estiveram entre as razões para a corrupção na polícia”, explica.Porém, o relatório reconhece que, durante o ano, houve algumas detenções e julgamentos e condenações de agentes da polícia, incluindo os acusados por crimes violentos.Os EUA criticam o que consideram de falta de imposição, de forma eficaz e consistente, de penas criminais para a corrupção oficial e os agentes envolveram-se em práticas de corrupção com impunidade, “embora o governo tenha julgado e condenado alguns agentes durante o ano sob acusação de corrupção. “Houve também uma percepção generalizada de corrupção nos poderes executivo e legislativo. Os Indicadores Mundiais de Governação do Banco Mundial também reflectiram a corrupção como sendo um problema sério. A pequena corrupção por funcionários públicos de nível baixo para complementar os baixos salários e a corrupção de alto nível praticada por um pequeno grupo de elites com ligações políticas e económicas constituíram a norma”, aponta o relatório. Nesta matéria, o documento reconhece que o parlamento aprovou segmentos importantes de um pacote de legislação anti-corrupção, um primeiro passo fundamental num combate renovado contra a corrupção.O relatório realça que não obstante o progresso registado na promoção da reforma penal e algumas medidas concretas tomadas nos complexos penais, as condições nos estabelecimentos prisionais moçambicanos permanecem muito perturbadoras. “Se as reformas continuarem, aumentarem as sentenças alternativas, e as outras medidas em discussão pelo Ministério da Justiça forem bem-sucedidas, as condições prisionais poderiam melhorar de forma notável. Porém, os estabelecimentos prisionais continuam perigosamente superlotados, e o uso prolongado e generalizado da prisão preventiva continua constante”, indica.O governo dos EUA tem produzido relatórios sobre os direitos humanos desde 1977, fornecendo informações sobre as áreas-chave de sucesso e desafios enfrentados pelo país correspondente. Estes relatórios são baseados em informações gerais que os EUA recebem de governos e instituições multilaterais, de ONGs locais e internacionais, académicos, juristas e os meios de comunicação social.A Embaixada americana, em Maputo, promete trabalhar com a sociedade civil, a comunicação social, o governo e a sociedade moçambicana e continuar o diálogo sobre os progressos e desafios sobre os direitos humanos. (RM/AIM). Fonte Rádio Moçambique.

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